Qual a mensagem da confiança?


Qual a mensagem da confiança quando não podemos explicar nossos problemas, ou enxergar além deles?

Ouvir os outros enquanto tentam demonstrar a fé em momentos de crise pode ser confuso. Alguns dizem que estão “crendo em Deus” para obter um trabalho, pela restauração da saúde, pela reconciliação no casamento ou pelo retorno de alguém que se afastou. Outros dizem que depender de Deus significa aceitar que os Seus caminhos não são necessariamente os nossos caminhos.

Na sala de espera da oração e do desamparo, concluí que perguntas sobre o que significa confiar em Deus podem ser tão difíceis quanto o problema em si. Também descobri que através dessas lutas reconhecemos a sabedoria contida na Bíblia.

Não seja muito exigente consigo mesmo. Os homens e mulheres mais piedosos do passado eram profundamente atormentados por crises em suas vidas. O rei Davi deixou de se alimentar e recusou o consolo enquanto insistia com Deus pela vida de seu filho moribundo (2 Samuel 12:16-17). Apesar de Davi ser um homem segundo o coração de Deus, as canções e gemidos de sua vida refletiam o medo e desespero recorrentes (Salmo 6:1-7). A experiência de Jó foi semelhante. Em suas escuras noites de perdas, suas primeiras demonstrações de confiança transformaram-se em amarga angústia (Jó 3). Lembramos também de Ana, a mulher estéril. As suas orações por um bebê eram tão profundas e cheias de emoção que o seu sacerdote acusou-a de estar bêbada (1 Samuel 1:13-15). O apóstolo Paulo tinha “grande tristeza e incessante dor no coração” por seus familiares e amigos não salvos (Romanos 9:2). Juntos, eles nos mostram que a confiança pode ser expressa através do choro, gemidos e até mesmo de dúvidas.

Espere não ser compreendido pelos outros. Em momentos de profunda perda e preocupação, mesmo os nossos melhores amigos tentarão descobrir o porquê das coisas nos acontecerem. Podem esquecer-se de que não se mede o sofrimento das pessoas pela proporção de seus erros. Alguns pagam rapidamente por seus erros. Outros não. Alguns sofrem por serem insensatos, enquanto outros são punidos por serem sábios (Salmo 73:1-14).

Tal ironia complicou a antiga tragédia de Jó. Quando seus amigos o ouviram expressando mágoa e desespero, presumiram erroneamente que ele estava sofrendo como consequência de um pecado secreto (Jó 4:1-9). Apesar de terem vindo compartilhar com ele a sua dor, acabaram multiplicando-a (Jó 16:2).

Não tenha medo de ser honesto com Deus. O idoso Abraão riu do absurdo contido na promessa de que Deus lhe faria o pai de muitas nações. Jacó lutou corporalmente com Deus sobre as incertezas daquilo que lhe aguardava. Davi expressou abertamente o seu desespero e incapacidade em circunstâncias além de seu controle. Jó acusou Deus de ser injusto. Quando os céus pareciam ignorá-los — se expressaram. Quando eles acharam que tinham um argumento disponível — o expressaram. Aprenderam a confiar em Deus no escuro vale de suas dúvidas.

Dê um passo de cada vez. Às vezes é melhor dividir a jornada em etapas menores. Jesus nos encorajou a não nos preocuparmos com o amanhã, pois o dia de hoje já tem suas preocupações, que são suficientes (Mateus 6:34). Na fragilidade das emoções turbulentas e oscilantes, talvez tenhamos que nos contentar com passos menores, com a sabedoria do momento (Tiago 1:5), e a sempre presente segurança daquele que diz: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hebreus 13:5).

Não seja autodestrutivo. Em momentos de decepção e aflição, devemos evitar paliativos que são prejudiciais ou autodestrutivos. Nenhum de nós pode concordar com vícios que apagam a dor por um momento, mas que complicam os nossos problemas em longo prazo. Há um momento para usar sedativos (Provérbios 31:6-7), pode-se usá-los em demasia causando graves danos a nós mesmos e aos outros (vv.4-5; 20:1). Também precisamos pedir a Deus que nos ajude a evitar descarregarmos a nossa ansiedade, ira, ou desespero em ouros ao nosso redor. Descarregar sobre os outros pode tornar-se hábito.

Não subestime Deus. Quando estamos incapacitados, Deus não está — e esta é uma das grandes verdades bíblicas. Um sábio disse: “Tenho certeza de uma coisa: Há um Deus. E não sou eu.” Se Deus não responde nossas orações no tempo e maneira que pedimos, é porque Ele pode ver o que nós não podemos. José aprendeu a confiar em Deus após ter sido vendido como escravo pelos seus irmãos mais velhos. Mais tarde, ao reencontrá-los em sua jornada, ele foi capaz de dizer: “Vós, na verdade intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem…” (Gênesis 50:20).

Peça, mas não exija. Em circunstâncias desesperadoras, somos capazes de pensar que sabemos o que precisamos de Deus. Como uma criança pequena que não pode ser consolada, somos propensos a exigir dele o que queremos e quando queremos. Nesses momentos Deus compreende nossas fraquezas e medo. No entanto, Ele é Aquele que usa as profundezas dos maiores abismos, o poder das mais poderosas quedas d’água, ou o prodígio de uma noite estrelada para nos acalmar em Sua presença (Jó 38:41). O filósofo cristão Francis Schaeffer observa: “Quando estou na presença de Deus, parece profundamente sem sentido exigir alguma coisa” (Veja Jó 42).

Duvide de si mesmo. Jó finalmente atingiu o ponto de duvidar de si mesmo mais do que de Deus. Após ser lembrado do poder eterno e da capacidade infinita do Deus da criação, ele ajoelhou-se. Com seu coração quebrantado e aliviado, Jó disse: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia […] Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:2-5).

Oração
Pai da Eternidade, nós queremos confiar em Ti, mas às vezes nos sentimos tão confusos. Por favor, perdoa-nos por querer respostas para que não precisemos confiar em Ti. Obrigado por Tua grande paciência conosco. Por favor, ajuda-nos a ter a mesma paciência contigo, ao esperarmos para ver que os Teus planos e o Teu tempo são melhores que os nossos. Amém.

Autor: Mart DeHaan
Fonte: Pão Diário 2009

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